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Método Americano e Método Europeu

Este artigo busca situar no tempo através de fatos envolvendo pessoas praticantes da perfuração corporal a anos atras, registrar a história do piercing moderno para que não se percam relatos, imagens, dados e retratando a historia registrada podendo ser mudada com o desenrolar de novos fatos e aprofundamento no assunto. De qualquer forma este artigo poderá sofrer mudanças para sua melhora, agradeço a ajuda dos envolvidos e serve aos que amam o Body Piercing.

Fazendo parte de perfurar o corpo a maior preocupação das pessoas é se vai doer e com a técnica apurada, dói pouco mesmo. E o primeiro pensamento do bom perfurador corporal é como encaixar a joia de melhor forma, se vai cicatrizar e como sera seu procedimento entre os equipamentos temos as agulhas. Aqui no Brasil como em boa parte do mundo temos dois métodos, quanto a profissionais para fazer os Piercing: o método americano e o método europeu tem a principal diferença do cateter ou sinônimo de cânula e oficialmente reconhecido pelo governo a utilização de cateteres por estes terem registro na Agência de Saúde Nacional, enquanto a agulha para piercing ainda esta em fase de registro no tempo que este artigo foi escrito.

O jeito de fazer perfurações constantemente se transforma e a forma atual já esta bem desenvolvida e os insumos mais sofisticados com a globalização, vale o registro de fatos que influenciam a indústria do Piercing até hoje e fazem profissionais apontarem pros e contras de ambas as técnicas. Os Estados Unidos da América pode ser considerado  pioneiro, assim como Inglaterra estes experimentaram e compartilharam experiências a fim de evoluir e evoluir entre elas o desenvolvimento da joalheria, instrumental, agulhas, técnicas.



Foto: Jim Ward Gauntled e BMEZINE


 A produção de joias e das agulhas necessárias à inserção na pele estava em seu começo. Neste período se usavam pistolas manuais improvisadas em alicates, grampos e engenhocas com pregos e ponta de metal considerem anos 70. 

Foto: Jim Ward Gauntled



Foto: Jim Ward Gauntled


Com o inicio dos anos 80 começou a epidemia do vírus HIV que provoca a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida AIDS se faz então necessário a partir dai o uso de material descartável, como as agulhas, e não apenas queima-las em chamas de fogo e lava-las em água fervente. Muito se improvisou com agulhas de uso veterinário e hipodérmicas retirando-se a parte de trás (o encaixe da seringa) de agulhas mais calibrosas, os mais amadores usavam agulhas de costura e linhas na perfuração até abrir espaço, durante um tempo e este pensamento ecoa até hoje. 

E durante a década de oitenta a Gauntled, em Los Angeles, Califórnia onde foi aberta a primeira a loja de piercing do mundo, e New York posteriomente, fundada por Jim Ward e Doug Maloy e desde 1975 já desenvolviam o método americano de se fazer perfuração corporal, e já confeccionavam os próprios materiais, joias de rosca externa, pressão e estavam desenvolvendo suas agulhas para perfuração corporal assim. Sentindo a necessidade de melhoras na aplicação das joias, tentaram proteger as roscas externas com cera, não sendo funcional partiram rapidamente para o desenvolvimento de joias com roscas internas, tendo melhor acabamento e sendo mais difícil de fabricar, também tornando o processo mais lento e com mais perdas.

Assim investindo tempo e recursos para desenvolver joias mais complexas em medidas pequenas. Hoje se exige esse padrão para membros das APP Associação de Perfuradores Corporais Profissionais. Enquanto isso na Inglaterra a cena acontecia com as agulhas e joias com rosca externa e o porque dessa relação entre joias e agulhas, é direta, Inicio dos anos 90 também ambos os polos do piercing mundial seguiam o mesmo caminho, porem com a dificuldade na importação das joias americanas, na demora na fabricação e entrega os ingleses começaram a confeccionar suas próprias, uma pioneira foi a WILDCAT de Brighton, e como cita o Master Piercer Paul King em relato de maio de 2017, depois gentilmente fornecendo material do acervo da APP, com a colaboração de Matte Erickson temos a quem é atribuído o desenvolvimento da técnica europeia podendo ser chamado também de método europeu ou britânico 

Paul King, membro fundador da APP me relata o seguinte trecho em uma conversa: Little known fact. Professional UK piercers used "regular" style needles BEFORE cannulas. Patrick Bartholomew discussed the innovation in the March 1991, issue 9 of Pauline Clarke's Piercing World magazine. He gives credit for this new technique to piercer Phil Barry of Body Art Tattoo in Bristol. Some interesting bit of UK piercing history...the introduction of the cannula needle technique...asan innovation in March, 1991!
FOTO: PAUL KING, REVISTA PIERCING WORLD


Piecing World magazine/Body Piercing Archive, Paul King


 Um piercer de Bristol começou a usar agulhas com cateter intravenoso, estas usadas para punção em veias e também uso veterinário, para aplicar joias com rosca externa e isso se fez uma revolução para o período o piercer Phil Barry do Body Art Tattoo pela Revista Piercing World por Pauline Clarke e Patrick Bartholomew em março 1991, edição numero 9 e rapidamente se popularizou essa forma de trabalho. Tanto o método europeu se popularizou que o pioneiro brasileiro Piercer Profissional André Meyer trouxe consigo experiências que teve na Europa 1992/1993 entre elas a técnica considerada profissional no Brasil de perfuração durante muitos anos e esta usando cateter ou cânula aprendida em Londres.  

Em seu Livro Lindo de Doer André Meyer nas páginas 44 e 45 conta que: Nesse começo furava principalmente lugares mais simples, como orelha, nariz e sobrancelha, e ao mesmo tempo tentava buscar outras informações sobre o assunto, que eram raras esparsas e imprecisas. Nessa época , assim como atualmente, havia dois métodos distintos de se fazer perfuração: o americano e o britânico, que foi o que acabei seguindo também. A técnica havia sido desenvolvida por Alan Oversby, mais conhecido como Senhor Sebastian, um sujeito que, na época em que vivi em Londres, havia se tornado uma lenda urbana.

Sendo que não é aceita e nem permitida o uso de agulhas com cateter para colocação de adornos legalmente nos EUA por questões de Lei de saúde, e ainda por convicções a respeito da superioridade das suas próprias agulhas e da rosca interna. Esta técnica de uso de cateteres não pegou na América do Norte devido ao referido padrão de rosca externa já ter entrado em desuso como já mencionado sobre o método desenvolvido por Jim Ward de agulhas para piercing e conexões chamados tapers que servem para fixar melhor as partes.  E a rosca interna não pegou na Europa daquela época devido ao tempo de espera e preço que deixaram de ser competitivos e atraentes comercialmente, mesmo tendo razões técnicas de superioridade e lentamente esta sendo substituído. 

E quando o preço fala mais alto, e citando isso com a influência inglesa na China e esta percebendo mais um nicho de mercado começou a fabricação maciça e em escala industrial de joias para perfuração e da forma mais barata não necessariamente se importando com acabamento de joias, a pureza das ligas de aço. Com a contenção de custos optou-se pela rosca externa na fabricação por ser mais fácil barata e com menos desperdício de matéria prima. A confecção das roscas internas era muito difícil pela dureza do metal tornando a produção lenta e com índice de perda considerável. Assim a técnica britânica se disseminou mais rapidamente pelo mundo abastecido por joias deste mesmo padrão lá usado. Tecnicamente podemos apontar com pontos bons do método americano a relacionar interpretações e habilidades individuais para quem vai fazer a perfuração: 




  • No método europeu, a proteção da rosca externa feita pelo cateter, para alguns aprendizes é mais seguro usar a agulha com cateter pelo fato após a perfuração o bisel metálico e cortante é removida ficando apenas a cânula que pode ser feita de politetrafluoretileno, material altamente inerte ao organismo, flexível e baixa aderência e atrito, servindo de guia no tecido perfurado. A agulha é mais flexível.Quando a gente olha bem de perto da para ficar com medo mesmo de uma rosca dessas passando pela nossa pele, esse e um dos motivos para não ficar trocando direto. Olhando o cateter com rebarbas tambem se entende porque se sente mais dor, mesmo o corte sendo feito com tesoura.
  • O cateter pode ser usado de ambos os lados na sua ponta ou na sua base cortada, assim encaixando-se a haste da joia podendo ter sua rosca interna ou externa conforme combinação de medidas.
  • A rosca em si machuca na passagem pela perfuração, necessita o mínimo de lubrificação, algumas marcas tem diferença entre a agulha e o cateter tornado um pouco mais dolorosa a perfuração, após corte do cateter este pode amassar e delatar com a joia também tornado a passagem da joia mais dolorosa e devido ao formato da perfuração dificulta a drenagem do sangue e a retenção de líquidos podendo assim as perfurações incharem mais, aumenta a necessidade de instrumentos que devem ser esterilizados como tesouras; 
  • O corte do cateter prévio do cateter afeta a estrutura do mesmo perdendo sua resistência e podendo facilmente amassar e não transpor o tecido mais resistente como mamilos e umbigos de indivíduos na hora da perfuração. 
Meme, não sei a autoria da foto quem souber agradeço.

  • O uso de lâminas descartáveis e ponta do bisel para cortar o cateter é reprovável também devido a rebarbas.
  • O uso de joias de rosca externa em agulhas com o mesmo diâmetro também agride tecido e aumenta a lesão local, também provoca mais dor. O uso de joias de mesmo diâmetro das agulhas para Piercing, no Brasil chamado de agulhas americanas exige boas mãos para que não se desencontrem as partes perdendo a perfuração provocando mais dor e sangramento, assim como a perda de mais tempo.



Apoio:
Referências:

Jim Ward  GAUNTLED INC: Running the Gauntled e Responsible Body Piercing
Paul King, Cold Steel America Piercing and Tattoo, Curador do museu APP e tesoureiro
Matte Erickson Alpha-Omega body piercing e arquivista na APP
APP: https://www.safepiercing.org/Piercing World magazine, Pauline Clarke's  revista 9 de março de 1991
André Meyer , Lindo de Doer
https://wiki.bme.com/index.phptitle=Cannula_Piercing
https://wiki.bme.com/index.php?title=Cannula
https://wiki.bme.com/index.php?title=European_Method&redirect=no 

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ASSIS TATUADOR

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